segunda-feira, 14 de março de 2011

Projeto de ensino - Planos de aula.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE E CIDADANIA.

GINA MARA ATAÍDES FERREIRA CARVALHO

Plano de aula: Intertextualidade na Literatura.

APARECIDA DE GOIÂNIA/GO.

2011.

GINA MARA ATAÍDES FERREIRA CARVALHO

Plano de aula: Intertextualidade na Literatura.

Trabalho apresentado ao Curso Especialização em Educação para Diversidade e Cidadania – Disciplina: Metodologia do Ensino. Faculdade de Direito da UFG – Universidade Federal de Goiás.

Orientador Acadêmico: Natal Esteves da Silva.

APARECIDA DE GOIÂNIA/GO.

2011.

SUMÁRIO

PROJETO DE ENSINO – PLANOS DE AULA. 4

Dados de Identificação. 4

a) Justificativa. 4

b) Objetivos. 4

-Gerais. 4

-Específicos. 5

c) Planejamento. 5

-Plano de aula 1. 5

-Plano de aula 2. 6

-Plano de aula 3. 6

-Plano de aula 4. 7

-Plano de aula 5. 7

-Plano de aula 6. 8

-Plano de aula 7. 8

-Plano de aula 8. 9

-Plano de aula 9. 10

-Plano de aula 10. 10

REFERÊNCIAS. 11

ANEXOS. 12

Anexo 1: Como ganhar verniz. 12

Anexo 2: Vou-me embora para Pasárgada. 15

Anexo 3: José. 17

Anexo 4: Luiz Vaz de Camões. 19

Anexo 5: Meus oito anos. 20

Anexo 6: Monte Castelo. 22

Anexo 7: Ouvir Estrelas. 24

Anexo 8: Ora (direis) ouvir estrelas!. 24

PROJETO DE ENSINO – PLANOS DE AULA.


a) Justificativa

Este projeto de ensino é direcionado aos alunos do 2º ano do Ensino Médio, pela dificuldade que percebi durante as aulas de observação, a não compreensão e o saber de: “O porquê estudar Literatura”. Estudar literatura é importante para aprendermos a dominar bem a língua portuguesa. Em qualquer coisa que fazemos, a comunicação é essencial. O estudo da literatura serve para o aperfeiçoamento de nossa linguagem, ampliação do nosso conhecimento cultural e para o nosso crescimento como pessoas.

Sabendo-se, que ler os clássicos da literatura nos leva a um mundo riquíssimo em prazer estético e intelectual, e com isso formando um leitor ao longo da vida, proponho neste projeto o despertar e mostrar que a leitura é um processo contínuo de aprimoramento intelectual e de investigação da realidade e da vida.

Sendo assim, a literatura deixará de ser apenas um verniz cultural, se tornando útil e mostrando-nos que somos humanos, isto é, pensamos, questionamos e criamos a arte.

b) Objetivos

-Gerais

1. Conscientizar que texto crítico é uma produção textual que parte de um processo reflexivo e analítico gerando um conteúdo com crítica construtiva e bem fundamentada.

2. Apresentar ao aluno-escritor a possibilidade de produzir um texto que não seja apenas lido e avaliado pelo professor-leitor, mas que proporcione o momento de compartilhar suas idéias, angústias e fantasias sem um público pré-definido.

3. Promover e incentivar a intertextualização na literatura por meio de poemas, música e os clássicos brasileiros.

4. Apontar a presença e o uso da ironia na linguagem jornalística, discutir a necessidade da formação do leitor e da leitura dos clássicos

-Específicos

1. Demonstrar a compreensão do texto, a partir das atividades de interpretação nos clássicos da Literatura.

2. Ler e analisar criticamente o conteúdo de um texto para fazer uma resenha.

3. Escrever textos coerentes e coesos.

4. Manifestar domínio do tema apresentado.

c) Planejamento

-Plano de aula 1

Objetivos

-Dialogar/discutir sobre os problemas e a falta de interesse das pessoas pela Literatura.

-Compreender/ouvir o outro com a atenção, respeitando as opiniões e estimulando a reflexão coletiva o que fazer diante das situações que enfrentamos com a falta de conhecimentos do mundo literário.

-Interessar-se na leitura através de revistas, jornais, letras de músicas como uma fonte de informação, aprendizagem, lazer e arte.

Síntese dos procedimentos

-Distribuir xérox do texto da revista Veja “Como ganhar verniz” (Anexo 1), fazer a leitura silenciosa, em seguida pedir que cada aluno leia um trecho, pausando com comentários.

. -Dividir a sala em grupos e cada grupo discutirá sobre a importância do conhecimento literário e em seguida apresentará aos colegas o ponto de vista sobre o assunto proposto.

Recursos

-Quadro e giz

-Caderno

-Xérox do texto.

-Plano de aula 2

Objetivos

-Apontar a presença e o uso da ironia na linguagem jornalística, discutir a necessidade da formação do leitor e da leitura dos clássicos.

-Demonstrar a compreensão do texto, a partir das atividades de interpretação.

-Pesquisar/consultar fontes e suportes: revistas, jornais e internet.

Síntese dos procedimentos

- Apresentar/Explicar/Comentar aos alunos o conceito de ironia.

-Ler novamente o texto em voz alta “Como ganhar verniz” e questionar aos alunos: os autores estão sendo irônicos?

-Pedir que individualmente que escrevam no caderno o ponto de vista sobre a questão.

Recursos

-Quadro e giz

-Caderno

-Xérox do texto

-Plano de aula 3

Objetivos

-Incentivar a leitura em voz alta

-Ler e analisar criticamente o conteúdo de um texto para fazer uma resenha.

-Procurar conscientizar o aluno do que ele é capaz de: fazer acontecer e mudar a situação atual.

Síntese dos procedimentos

-Formar grupos e pedir aos alunos que pesquisem em jornais e revistas textos jornalísticos e publicitários em que surja a ironia.

-Os textos coletados devem ser comentados em sala de aula com ênfase no papel desempenhado pela ironia.

-Expor no mural a idéia sobre ironia dentro da interpretação de cada grupo.

Recursos

-Jornais e revistas

-Quadro e giz

-Cartolina e pincel

-Caderno

-Plano de aula 4

Objetivos

-Propor/Explicar aos alunos a utilidade de ler os clássicos.

-Mostrar o prazer da leitura com a boa interpretação.

-Reconhecer no texto regras da norma culta.

Síntese dos procedimentos

-Pedir aos alunos lerem em voz alta os poemas "Vou-me Embora pra Pasárgada", de Manuel Bandeira (Anexo 2); "José", de Carlos Drummond de Andrade (Anexo 3) e "Amor é Fogo que Arde sem se Ver", de Camões (Anexo 4).

-Comentar/Ler o poema de Casimiro de Abreu “Meus oito anos” (Anexo 5), mostrar aos alunos a importância desse poema em minha infância.Em seguida, cada aluno escolherá o texto que mais se identificou e escrever certas situações de sua vida que possam ser “traduzidas” pelos textos.

-Pedir aos alunos para trazerem na próxima aula uma pesquisa sobre as vidas dos poetas citados. (Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Camões, Casimiro de Abreu)

Recursos

-Quadro e giz

-Caderno

-Xérox das poesias.

-Plano de aula 5

Objetivos

-Despertar nos alunos a importância da pesquisa e do conhecimento.

-Conhecer a vida e obra dos autores.

Síntese dos procedimentos

-Pedir aos alunos formarem em círculo e comentarem e trocarem informações dos dados pesquisados sobre os poetas Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Camões, Casimiro de Abreu.

-Em seguida, levar os alunos para a sala de informática para pesquisarem sobre o Grupo Musical Legião Urbana.

Recursos

-Quadro e giz.

-Caderno

-Internet

-Plano de aula 6

Objetivos

-Incentivar/Mostrar mais uma vez aos alunos a importância de estudar a Literatura.

-Fazer com que os alunos percebam que os poemas e as músicas são um convite à evasão, ao sonho, a um novo significado da realidade.

-Leitura individual;

-Leitura em voz alta;

Síntese dos procedimentos

-Leitura silenciosa da Música Monte Castelo do Renato Russo (Anexo 6).

-Leitura compartilhada da Música.

-Mostrar a intertextualidade na Música.

-Ouvir a música no áudio e acompanhar cantando junto.

Recursos

-Quadro e giz.

-Xérox da música.

-Aúdio

-CD

-Plano de aula 7

Objetivos

-Mostrar ao aluno que ele é capaz de produzir textos através dos gêneros literários.

Síntese dos procedimentos

-Levar os alunos na sala de informática e pesquisar na internet sobre a Música Monte Castelo do Renato Russo.

-Retornar a sala de aula, formar grupos e discutir sobre a pesquisa feita.

-Questionar aos alunos sobre a intertextualidade da conversa que o compositor trava em sua música “Monte Castelo” (anexo 6), com o famoso poema de Luís de Camões “Amor é um fogo que arde sem se ver” (anexo 4) e com o texto bíblico “O amor é um dom supremo” escrito pelo apóstolo Paulo à Igreja de Corinto.

-Pedir aos alunos trazerem na próxima aula pesquisa da Música “Ouvir Estrelas” da banda Kid Abelha (Anexo 7) e o Poema “Ora (direis) ouvir Estrelas” do poeta Olavo Bilac (Anexo 8).

Recursos

-Quadro de giz

-Internet

-caderno

-Plano de aula 8

Objetivos

-Mostrar aos alunos a pluralidade que existem nas palavras e frase e a sensibilidade que há nas poesias, a estrutura de um soneto.

-Estimular aos alunos à leitura e ao conhecimento da Literatura.

-Produzir textos a partir dos conhecimentos literários.

Síntese dos procedimentos

-Leitura silenciosa da música do Kid Abelha (Anexo 7) e do poema de Olavo Bilac (Anexo 8).

-Pedir alguns alunos declamarem na frente dos colegas, dando ênfase nas palavras, para perceberem a estrutura do soneto, ritmo, coesão do poema de Olavo Bilac “Ora (direis) ouvir Estrelas)

-Escutar Cd e cantar junto a música “Ouvir Estrelas” do Kid Abelha.

Recursos

-Quadro e giz.

-Aúdio

-CD

-Plano de aula 9

Objetivos

-Aproximar os alunos através das músicas e poemas o prazer pela Literatura, trazendo para a sala de aula o hoje e o passado que parece ser tão distante aos alunos.

-Mostrar as possibilidades de ter prazer e conhecer a Literatura através dos temas discutidos na sala de aula.

Síntese dos procedimentos

-Comentários gerais dos alunos sobre todas as aulas vistas até o momento.

-Em seguida, individualmente, pedir para escreverem um poema, ou um texto, ou uma música, em cima de todo tema visto das aulas anteriores.

Recursos

-Quadro e giz.

-Caderno

-Plano de aula 10

Objetivos

-Analisar as pesquisas sobre os poemas e as músicas estudadas nas aulas anteriores.

-Discutir/Refletir o trabalho desenvolvido nas aulas.

-DespertarMostrar a importância do estudo na Literatura no cotidiano de nossas vidas.

Síntese dos procedimentos

-Instigar a turma, a escreverem em tópicos o ponto de vista das músicas e dos

poemas vistos durante as aulas anteriores.

-Para finalizar esta última aula, uma música da cantora Marisa Monte e Arnaldo Antunes “Amor I love you” (Anexo 9).

-Pedir aos alunos pesquisarem a música na internet, e perceberem o uso da Literatura na música.

Recursos

-Quadro e giz.

-Caderno

-Aúdio

-CD

REFERÊNCIAS

A intertextualidade na Música Monte Castelo de Renato Russo. Disponível <http://portfolioleamara.blogspot.com/2007/12/intertextualidade-na-msica-monte_14.html> 09 mar. 2011.

AMARAL, Emília; FERREIRA, Mauro; LEITE, Ricardo; ANTÔNIO, Severino. Novas Palavras – Português – Ensino Médio. 2ª ed. São Paulo: FTD, 2003.

CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Gramática – Texto, Reflexão e uso. São Paulo: Atual, 1998.

Dic.Michaelis – UOL.

GRAIEB, Carlos; LIMA, Gabriel de. Como ganhar Verniz. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/181198/p_164.html> 10 mar. 2011.

Letra da música Monte Castelo – Legião Urbana. Disponível em <http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/22490/> 10 mar. 2011.

Letra da música Ouvir Estrela – Kid Abelha. Disponível em <http://letras.terra.com.br/kid-abelha/74131/> 10 mar. 2011.

PAGNAN, Celso Leopoldo. 02-Prática Pedagógica – Estágio. Londrina: Unopar, 2008. Tele-aula transmitida em 21 ago. 2008 peloa Sistema de Ensino Presencial Conectado da Unopar para o Módulo 6 do Curso de Letras.

Vitamine sua turma com os clássicos. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/vitamine-sua-turma-classicos-427327.shtml>. Acesso em 08 mar.2011.

Wikipédia - Carlos Drummond de Andrade. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Drummond_de_Andrade> 10 mar. 2011.

______ - Casimiro de Abreu. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Casimiro_de_Abreu> 10 mar. 2011.

______ - Luiz Vaz de Camões. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Vaz_de_Cam%C3%B5es> 09 mar. 2011.

______ - Manuel Bandeira. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Bandeira> 09 mar. 2011.

_____ - Olavo Bilac. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Olavo_Bilac> em 10 mar.2011.

______ - Texto. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Texto>. Acesso em: 09 mar. 201.

ANEXOS

Anexo 1

Como ganhar verniz

Para não fazer feio em sociedade, não é preciso
muita cultura — basta ler as obras certas

Carlos Graieb e João Gabriel de Lima

Os escritores no salão: sentados, a partir da
esquerda, Leon Tolstoi, Carlos Drummond,
James Joyce e Eça de Queiroz

Ansioso por uma promoção na firma? Esqueça, então, aqueles livros chatérrimos de gestão empresarial que abarrotam as estantes de lançamentos e que todo gerente sente-se na obrigação de ler pelo menos a orelha. Ninguém mais se impressiona com expressões como "break even", "market share", "target", "downsizing" ou "foco no cliente". Há muito tempo elas deixaram de emprestar ainda que um reles brilhareco à imagem de quem as pronuncia. Para sobressair em uma reunião de trabalho, o melhor a fazer talvez seja recorrer à tradição humanista. Isso mesmo, a velha e boa literatura. Não, não se assuste: você não precisa tornar-se um especialista em prosa irlandesa dos anos 20. Para igualar-se àquele colega carreirista que, esperto, já enveredou por esse caminho e não pára de citar Machado de Assis e outros autores, não é preciso tanta leitura assim. Os que destilam citações eruditas sabem apenas duas coisas que você não sabe. A primeira é que 99% das pérolas que enfeitam as conversas ditas "intelectuais" são tiradas sempre dos mesmos livros. A segunda é que, para brilhar em tais ocasiões, não é necessário sequer ter lido essas obras até o fim. Basta decorar meia dúzia de observações retiradas delas. Fazer citações não é uma questão de cultura, e sim de "verniz cultural". Que é algo que poderia ser ensinado em manuais, como etiqueta ou elegância.

Listas de livros fundamentais costumam ser motivo de discussões acaloradas, mais ou menos como acontece em relação ao futebol. As catorze obras elencadas a seguir, é bom que se diga, compõem apenas uma das centenas possíveis. Além de fazer com que você se diferencie no ambiente profissional, elas podem conferir-lhe mais charme no convívio social. Comecemos com Shakespeare. Suas peças são cheias de tiradas engraçadas ou espirituosas. A maior parte delas está concentrada em sua peça mais famosa, Hamlet. Leia-a como quem resolve um caça-palavras, com um lápis na mão, para sublinhar as citações. Quando, no meio da happy-hour, alguém mentir deslavadamente, saia-se elegantemente com a frase "as palavras sem o pensamento nunca chegam ao céu". Quando um colega de escritório lhe pedir algum emprestado, vá de "não faço empréstimos, para não correr o risco de perder o dinheiro e o amigo". Está na lista de conselhos que o personagem Polônio dá a seu filho Laertes. Decore todos. Eles são capazes de livrá-lo de boas encrencas, com elegância. Em matéria de teatro, vale a pena conhecer também algo de tragédia grega. Basta ler Édipo Rei, de Sófocles. Além de ser a melhor obra do gênero, ajuda quando um psicanalista chato começa a falar de complexo de Édipo nas festas. Como você não será páreo para ele numa discussão sobre Freud, mude o assunto para a Grécia antiga. Faça uma observação espirituosa: a de que Édipo Rei é a mais antiga história policial de todos os tempos. Acrescente que é uma das poucas peças policiais em que o assassino é o próprio detetive. Todos se espantarão.

Romances do século passado: concentre-se em três. Madame Bovary, do francês Gustave Flaubert, O Primo Basílio, do português Eça de Queiroz, e Dom Casmurro, do brasileiro Machado de Assis. Todos falam do grande objeto de desejo do século XIX: a mulher do próximo. No terceiro, não dá para saber se a traição se consumou ou não. Tome cuidado apenas para não fazer observações sobre o charme da mulher casada perto da esposa do seu chefe ­ ela poderá pensar que é uma cantada. Bom, pelo menos não quando ele estiver por perto. Em Dom Casmurro, ficou célebre a característica que Machado de Assis empresta à personagem central, Capitu: "olhos de ressaca". Também é uma cantada e tanto. Deve ser dirigida, no entanto, a mulheres bem escolhidas. Ficou famoso o caso de uma socialite alagoana que, ao ouvir tal galanteio, respondeu: "Eu não bebo".

Abortando Sartre —De literatura russa, compre apenas um livro: Crime e Castigo, de Dostoievski. Apesar de tida por alguns como sentimentalóide, a história de Raskolnikov é empolgante. Tem especial utilidade se você for mulher e quiser algo com aquele rapaz de gola rolê que estuda filosofia. Quando ele começar a falar de existencialismo, diga: "Eu prefiro beber na fonte". Cite uns dois ou três trechos de Crime e Castigo e arremate: "Toda a literatura francesa do século XX jorra daí". Ele vai achá-la brilhante, com a vantagem adicional de que será abortado um papo chatíssimo sobre Sartre e quejandos. Chegamos, assim, ao século XX. Todo o mundo adora citar Ulysses, de James Joyce, como a grande obra do período. Dê uma de erudito dizendo que leu e não gostou. Diante dos olhares surpresos, afirme que você concorda com a escritora inglesa Virginia Woolf, que definiu Ulysses como um livro "pretensioso, um tiro que saiu pela culatra". De Joyce, leia apenas Dublinenses. São contos belos, inteligíveis e curtos. Leia também Lolita, de Nabokov, este sim o melhor texto escrito no século. Diga que, assim como o século XIX preferia as casadas, o século XX é das ninfetas. Cite também A Metamorfose, do checo Franz Kafka, a famosa história de um homem que vira barata. Impressione os convivas dizendo que é impossível precisar em que inseto o personagem Gregor Samsa se transformou. Quem leu sabe que não há nenhuma menção a baratas no livro.

Na literatura brasileira, além de Dom Casmurro, há outro livro fundamental: Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Leia Graciliano. É curto, maravilhosamente bem escrito e é a obra mais bem realizada de todo um período nefasto da prosa brasileira: o do regionalismo. Quando alguém começar a citar Fogo Morto, A Bagaceira ou Menino de Engenho, diga que há mais substância nas digressões da cachorra Baleia do que em toda a vã filosofia sobre cactos e ossadas. De Guimarães Rosa, não se arrisque com Grande Sertão: Veredas. Prefira os contos. Ou melhor, um conto: A Terceira Margem do Rio, que resume todos. Ao discorrer sobre a história, não se esqueça de observar que Caetano Veloso e Milton Nascimento destroçaram essa obra-prima na música insuportável que leva o mesmo nome.

Bordões — Em poesia, leia apenas o essencialíssimo. Por exemplo, sonetos de Luís de Camões como "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" ou "Amor é fogo que arde sem se ver". Poupa alguns constrangimentos. Quando o cantor Renato Russo fez uma música sobre esse último poema de Camões, não foram poucos os que a saudaram como a melhor letra do ex-líder do Legião Urbana. Das unanimidades Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, decore aqueles versos que viraram bordões, como "E agora, José?" ou "Vou-me embora pra Pasárgada". São frases que sempre pegam bem. Experimente entrar na sala do chefe no final do expediente e dizer: "Vou-me embora pra Pasárgada. Lá sou amigo do rei". Ele certamente vai ficar intrigado, porque, como a maior parte das pessoas, seu chefe também não leu muita coisa, mas essa do Manuel Bandeira pode apostar que ele já ouviu em algum lugar. Se ele perguntar se Pasárgada é o nome de uma nova boate, talvez seja o caso de mudar mesmo de emprego.

Essas são as regras básicas. Se você atravessar os catorze livros recomendados, tenha certeza de que já leu muito mais do que 90% das pessoas que gravitam a seu redor. Gustave Flaubert, o genial escritor francês que criou Madame Bovary, escreveu, numa carta à namorada, que "já seríamos bastante inteligentes se chegássemos a conhecer bem três ou quatro livros". Pode ser até que você tome gosto pela coisa. Cada um dos escritores da lista é um universo fascinante. Mas aí já terá passado da fase do verniz cultural, e estará começando a adquirir cultura. Na vida profissional ou social, não há muita diferença entre uma coisa e outra. Mas você descobrirá que os clássicos que o ajudam em público podem tornar-se um grande prazer na intimidade.

 

Anexo 2

Vou-me Embora pra Pasárgada

Manuel Bandeira


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

Anexo 3

José

Composição: Carlos Drummond de Andrade



E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Anexo 4

Luis Vaz de Camões

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Anexo 5

Meus oito anos

Casimiro de Abreu

Oh ! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

h ! dias da minha infância!
Oh ! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh ! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais! .

Anexo 6

Monte Castelo

Composição: Renato Russo (recortes do Apóstolo Paulo e de Camões).

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria...

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja
Ou se envaidece...

O amor é o fogo
Que arde sem se ver
É ferida que dói
E não se sente
É um contentamento
Descontente
É dor que desatina sem doer...

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...

É um não querer
Mais que bem querer
É solitário andar
Por entre a gente
É um não contentar-se
De contente
É cuidar que se ganha
Em se perder...

É um estar-se preso
Por vontade
É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade
Tão contrário a si
É o mesmo amor...

Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas
então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade...

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria...

Anexo 7

Música - Kid Abelha - Ouvir estrelas

Direi ouvir estrelas
Certo perdestes o senso
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouvi- lás
Muita vez desperto
E abro as janelas,
Pálido de espanto
Enquanto conversamos
Cintila via láctea
Como um pálido aberto
E ao vir do sol,
Saudoso e em pranto
Inda
as procuro pelo céu deserto
Que conversas com elas
O que te dizem
Quando estão contigo
Ah... Amai para entendê-las
Ah... Pois só que ama pode ouvir estrelas

Anexo 8

Poema - Olavo Bilac – Ora (direis) ouvir estrelas!

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...


E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.


Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"


E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

 

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